Os Mortos Não Podem Aceitar O Perdão
As declarações da Igreja Católica reconhecendo os erros do passado marcaram um passo importante, mas não convincente ou decisivo, na reconciliação entre cristãos e judeus.
O que chama a atenção é que o Papa João Paulo II, o mesmo Papa de origem polonêsa que conviveu com judeus na sua infância e na sua juventude, e que em 1985 entrou pela primeira vez na sinagoga de Roma, que sendo o Chefe da Igreja mandou estabelecer relações diplomáticas plenas entre o Vaticano e Israel em 1994, agora tenha esquecido de ser mais explicito e de mencionar o Holocausto, na hora de reconhecer os erros e os pecados cometidos em nome da fé.
Surgem perguntas que até o dia de hoje não tenham resposta.
Por que a Igreja Católica demorou tantos anos para se arrepender?
Por que o Vaticano não abriu os arquivos da época nazista?
Cada um dos destinatários da mensagem papal saberá se deverá perdoar ou não, mas dificilmente podemos esquecer do silêncio e da indiferença do Papa Pio XII, chefe da Igreja Católica no período nazista.
Existem 613 mandamentos, enumerados por Maimônides, que regulamentam a vida dos judeus.
Segundo o filósofo Emil Fackenheim, após a Segunda Guerra Mundial, começamos a falar do mandamento 614:
"Não esquecer o que foi feito pelos nossos inimigos durante a Shoa -Holocausto".
Não dar uma vitoria póstuma a Hitler. Não se podem reparar os erros do passado realizando outro erro no presente. O erro de uma declaração frágil.
Com o tempo poderemos chegar a perdoar, mas nunca vamos esquecer.
Para que a historia não se repita conosco e nem com nenhum outro povo.
Lamentavelmente, a maioria dos destinatários da mensagem papal estão mortos, e são eles os que teriam que aceitar ou não, o perdão.
Prof. Guershon Kwasniewski
Líder Religioso da SIBRA
Ano 2000