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Tzedaká
Na hora em que empreendemos uma campanha na nossa comunidade, apelamos para a generosidade dos nossos associados e amigos, através de algum donativo. Na verdade, a nossa estratégia não é nenhuma novidade para nosso povo, que tem já na Torá, as raízes deste sistema de contribuição. Antigamente era doado o dízimo, hoje existe uma mensalidade. Antigamente eram doadas as primícias para o Grande Templo de Jerusalém, hoje cada um dá o melhor de si para nossa instituição. Por que não lembrar nesta edição do SIBRA NOTÍCIAS a origem da Tzedaká.
A forma judaica de doar em favor dos menos favorecidos chama-se Tzedaká. Esta palavra hebraica tem a mesma raiz quanto a palavra JUSTIÇA. É que no seu ideal, a Tzedaká deveria ser uma forma de corrigir uma injustiça, não somente de diminuí-la. Os chamados à preocupação com os que tem menos, vem já desde a Torá.
Acompanhemos os seguintes exemplos:
- No livro de Levítico 19:9-10, D-s fala ao povo de não recolher aquilo que foi plantado e que cai no chão; isso deve ser para o pobre e para o estrangeiro.
- "Nunca deixará de haver pobres na terra; e por isso que eu te ordeno: abre a mão em favor do teu irmão, do teu humilde e do teu pobre em tua terra". Deuteronomio 15:11.
- O mandamento da Torá, encontra seu eco na voz dos profetas que o transmitem ao povo duma forma bem mais eloquente. Assim ouvimos a voz do Profeta Isaías que num texto lido como Haftará em Yom Kipur disse: "Por acaso é este o jejum que escolhi, um dia em que o homem mortifique a sua alma? Por acaso a esse inclinar de cabeça como junco, a esse fazer a cama sobre pano de saco e cinza, acaso é a isso que chamas de jejum e dia agradável a Adonai? Por acaso não consiste nisto o jejum que escolhi; romper os grilhões da iniquidade, em soltar as ataduras do jugo e por em liberdade os oprimidos e despedaçar todo o jugo? Não consiste em repartires o teu pão com o faminto, em recolheres em tua casa os pobres desabrigados, em vestires aquele que ves nu e em não esconderes daquele que é a tua carne? Se fizeres isto, a tua luz romperá como a aurora, a cura das tuas feridas se operará rapidamente, a tua justiça ira à tua frente e a glória de Adonai irá à tua retaguarda".
Isaías 58: 5-8.
- Estende a mão ao pobre, e ajuda o indigente". Provérbios 31:20
- Rav Assi acrescentou: "Tzedaká é equivalente a todos os outros mandamentos combinados. Baba Batra 9 a
- Outro código judaico da Idade Média, o Shulchan Aruch, também fala a respeito da quantia a ser dada para Tzedaká, mas também tem algo a acrescentar a respeito do estado de ânimo que deve primar na hora de nos ocuparmos dos pobres.
Segue a tradução da seção Yore Deah 249, parágrafos 1-4.:
- A quantia a ser dada, se for possível, deve ser de acordo as necessidades dos pobres.
E, senão for possível tanto, deve se dar um quinto das possessões.
E isto é extraordinário.
Um décimo é um nível intermediário.
Menos do que isso é miserável.
- Nunca um homem deverá dar menos de um terço de um shekel por ano. E se der menos do que isto, não cumpriu a mitzvá da Tzedaká.
- A Tzedaká tem que ser dada com cara boa, com alegria e com bom coração, participando na pena do pobre e falando com ele palavras de consolação.
Se se dá a Tzedaká com cara irritada, perdeu o mérito.
- Se o pobre pediu, e o homem não tem o que dar, não ficará bravo com ele elevando o tom da sua voz, senão que falará palavras de consolação e mostrará seu bom coração e que sua vontade é dar, mas que não é possível".
Shulchan Aruch.
Os oito níveis da Tzedaká, de MAIMÔNIDES
Para comprender melhor este tema, o filósofo judeu-espanhol Rambam -Maimônides, que viveu no século XII, coloca a Tzedaká em oito níveis:
- O nível mais alto é ajudar a uma pessoa a encontrar um trabalho ou ensinar-lhe um oficio.
- Dar Tzedaká secretamente a alguém que não conhecemos.
- Dar Tzedaká secretamente a alguém que conhecemos.
- Quando não conhecemos a quem damos, e aquele que recebe sabe quem deu.
- Dar Tzedaká antes que peçam a nós.
- Dar Tzedaká depois que nos pediram.
- Dar, mas não aquilo que poderíamos ou que deveríamos dar.
- Dar Tzedaká sem vontade (mas não deixar de dar).
Para terminar nada melhor do que uma pergunta:
Qual é teu nível de Tzedaká ?