SINAGOGA KAHAL ZUR ISRAEL- o Rochedo de Israel em Recife - Parte 1
Parte I
A Sinagoga - Vocês são judeus? Foi assim que iniciou nossa conversa com Alexandre da Costa Nunes, que aguardava conosco a abertura do Centro Cultural Judaico de Pernambuco, à Rua do Bom Jesus, antiga Rua dos Judeus, n.º 197, em Recife. Jovem, alto, magro, óculos pretos, grandes demais para seu rosto fino, diante da nossa afirmativa, continuou: - Sou cristão-novo. Meus avós me contavam que ouviam de seus avós que, por sua vez, seus avós fugiram do Recife holandês para o interior de Pernambuco quando a cidade foi tomada pelos portugueses. Vim estudar minhas origens. Alexandre foi nosso companheiro na visita ao prédio escavado, raspado, restaurado e transformado no Centro Cultural que abriga os restos arqueológicos daquilo que foi a primeira sinagoga do Brasil e das Américas. A Fundação Safra, a Prefeitura de Recife, o Ministério da Cultura através de seus incentivos fiscais, a Federação Israelita de Pernambuco, a Congregação Israelita Brasileira (CONIB), arquitetos, engenheiros, antropólogos e a comunidade trabalharam juntos para encontrar os vestígios da Sinagoga Kahal Zur Israel, Rochedo de Israel, fundada em 1639, em pleno regime holandês de Maurício de Nassau, à Rua dos Judeus, na zona portuária de Recife. Os trabalhos de restauração terminaram recentemente, em novembro de 2001, com a inauguração do Centro Cultural. Foram removidas 750 toneladas de terra, centenas de metros quadrados de reboco para identificar as antigas dependências da sinagoga. Durante os trabalhos, farto material arqueológico foi encontrado e, em especial, uma cavidade em forma de piscina com escada de acesso, adjacente à estrutura de um poço d'água alimentador, identificados por uma comissão rabínica brasileiro-argentina como sendo realmente o que restou da Mikvê da sinagoga. Como não foram encontradas os desenhos da sinagoga propriamente dita, a mesma foi montada em pequena escala seguindo os traços da Grande Sinagoga de Amsterdã da época. Atualmente, o Aron Há-Kodesh - a Arca Sagrada - não contém a Torá, razão pela qual a sinagoga não funciona como tal. No mesmo prédio, estão abertos o Arquivo Histórico, um Home Theater para projeções e a Exposição propriamente dita, constituida de magníficos paineis explicativos, contendo a história completa dos primórdios da comunidade judaica holandesa, sua origem portuguesa, a identificação da famílias, a evolução dos fatos e, finalmente, a dispersão de seus componentes em 1654. O sobrenome Nunes do jovem Alexandre, nosso companheiro de visita ao Centro Cultural, consta efetivamente na lista das famílias judias daquela época. Ele estava certo quanto a suas origens.
Claus M. Preger