Para entender a posição do Judaísmo sobre Células Tronco
devemos ter claros alguns conceitos:
Deus é o criador do Universo e da Vida.
Fomos criados a imagen e semelhança do Criador, ele dá a Vida e ele tira a Vida - conforme o Livro de Gênesis -.
Qualquer mudança desta orden estaríamos indo contra a religião.
Mas existe um conceito judaico chamado Pikuach Nefesh, que aparece no livro Talmud, escrito na Babilonia.
Pikuach Nefesh é um mandamento que se sobrepõe a todos os outros mandamentos e significa "salvar uma vida".
Devemos e temos a obrigação como judeus de fazer todo o possivel para salvar uma vida.
Dentro deste quadro é que entra o estudo científico.
Quando começa a vida no Judaísmo?
Para responder devemos entender tres etapas: aplicamos um status diferente ao embrião, ao feto e ao recém-nascido. À medida que a gravidez evolui, o organismo adquire um status superior. Inclusive, se durante a gestação ocorre uma situação em que há um risco de vida para a mãe, o judaísmo privilegia a mãe em oposição ao feto. No começo, até 40 dias depois da fecundação, é como se o embrião fosse apenas água e não vida. Tanto que a pesquisa com embriões, inclusive com uso de células-tronco, bem como procedimentos de clonagem terapêutica, são permitidos em Israel.
A maioria dos sábios judeus pensa desta maneira, mas é importante ressaltar que não se trata de uma postura unânime. Há posições contrárias de judeus ortodoxos que acreditam que a vida começa mesmo no momento da fecundação.
É importante ressaltar que, embora o embrião seja uma vida em potencial, e como tal não possa ser levianamente eliminado, não podemos privar a sociedade das inúmeras possibilidades terapêuticas que o embrião representa, a pretexto de protegê-lo.
Infinitamente melhor do que jogar no lixo os embriões não-utilizados é aproveitá-los para obter células-tronco que poderão curar doenças graves e salvar vidas humanas.
A história já nos deu provas aterradoras do que acontece quando se procura 'aprimorar' a raça humana. A tentação de brincar de Deus é forte. Se há, por um lado, cientistas e médicos de elevada moralidade, que analisam as possíveis conseqüências dos seus atos antes de praticá-los, há também aqueles que só pensam em satisfazer o próprio ego, sem levar em consideração se é eticamente correta a finalidade da pesquisa ou os meios utilizados para atingir seus objetivos. Conforme as palavras do meu Mestre o Rabino Henry Sobel, temos que ser precavidos da 'ciência sem consciência'. Ficou claro durante os debates do I Simpósio Nacional de Celulas Tronco, que o problema não passa pela ciência e sim pela ética e moral dos profissionais dedicados a estes estudos. Neste ponto as religiões, entre elas o Judaísmo, tem muito para aportar.
Fonte de pesquisa, Rab.Sobel e Dr. Raskim