Rosh HaShaná - O Ano Novo Judaico
Rosh HaShaná (em hebraico ראש השנה, literalmente "cabeça do ano") é o nome dado ao ano-novo no judaísmo. Dentro da tradição rabínica, o Rosh HaShaná ocorre no primeiro dia do mês de Tishrei, primeiro mês do ano no calendário judaico rabínico e sétimo mês no calendário bíblico. Neste ano, Rosh HaShaná irá iniciar ao pôr-do-sol do dia 08 de setembro de 2010, que corresponde ao primeiro dia do mês de Tishrei de 5771. Como é costume, na Diáspora, a comemoração irá se estender até o pôr-do-sol do dia 10 de setembro de 2010 (2º dia de Tishrei de 5771).
A Torá refere-se a este dia como o Dia da Aclamação ou Yom Teruá (Vayikrá 23:24). Já a literatura rabínica diz que foi neste dia que Adão e Eva foram criados e neste mesmo dia incorreram em erro ao tomar da árvore da ciência do bem e do mal. Também teria sido neste dia que Caim teria matado seu irmão Abel. Por isto considera-se este dia como Yom ha-Din (Dia de Julgamento) e Yom ha-Zikaron (Dia de Lembrança), o início de um período de introspecção e meditação de dez dias (Yamim Noraim ou “dias temíveis”), também chamados Aseret Yemei Teshuvá (do hebraico עשרת ימי תשובה, Dez dias de Arrependimento), que se inicia com a festividade de Rosh HaShaná e que culminará no Yom Kipur (Dia do Perdão), que é o último dia das festividades do ano-novo judaico e é considerada a data mais importante dentro do judaísmo. Crê-se que nesta data é confirmada e selada a sentença de cada ser humano conforme decretada pelo Criador em Rosh HaShaná. Este dia costuma ser um dia de instrospecção e meditação onde os judeus se reúnem para uma confissão coletiva dos pecados. Até o dia de Yom Kipur os Yamin Noraimm correspondem a um período no qual se crê o Criador julga os homens. Estes são considerados dias apropriados para que os judeus pratiquem teshuvá (retorno, arrependimento) até o dia de Yom Kipur quando o decreto divino é selado.
Tradições e costumes
A comemoração é efetuada durante os dois primeiros dias de Tishrei conforme o costume pós-exílico para se garantir a comemoração no dia correto nas comunidades da Diáspora. Porém, de acordo com uma explicação cabalística, mesmo os que residem em Israel têm que guardar a data sagrada de Rosh HaShaná por dois dias – no primeiro e segundo dias do mês de Tishrei. O Livro do Zohar, escrito pelo grande místico e mestre da Torá, Rabi Shimon bar Yochai, explica o porquê: Rosh HaShaná, o Dia do Julgamento, representa o atributo Divino da Guevurá – justiça e disciplina severas. E, como todas as criaturas vivas estão sendo julgadas em Rosh HaShaná e não suportariam a aplicação da severa sentença Divina, acrescenta-se um segundo dia à celebração. Esse segundo dia é principalmente governado pelo atributo de Malchut – que, sendo o atributo Divino que permeia o Shabat, é um atributo de julgamento clemente e misericordioso.
A celebração começa ao anoitecer na vespéra com o toque do shofar. É costume se comer certos alimentos representativos durante o Rosh HaShaná como maçãs com mel e açúcar para representar um ano doce. Também se come "Rosh shel Dag", cabeça de peixe. Esse alimento incentiva a começar um ano bom com a cabeça, a parte mais alta do corpo. Durante a tarde do primeiro dia se realiza o tashlich, um costume de recitar-se certas preces e jogar pedras ou pedaços de pão ou esvaziar os bolsos na água como um símbolo da eliminação dos pecados. Durante os Yamim Noraim muitas orações (selichot) e poemas religiosos (piyutim) são entoados junto com as orações normais.