Manifestação do Presidente da República sobre o Pessach na Catedra

Á
Arquidiocese de Porto Alegre
Arcebispo Dom Jaime Spengler
SIBRA (Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência)
Rabino Guershon Kwasniewski

Eventos únicos devem ser abençoados. É, frequentemente, fácil falar de ecumenismo e de tolerância religiosa sem efetivamente praticá-los. Muitos discursos não se traduzem por atos efetivos. Eis por que a Arquidiocese de Porto Alegre e a SIBRA (Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência) estão efetivamente de parabéns. Estão dando um exemplo não só para o país, mas para o mundo.
Ao cumprimentar o Arcebispo dom Jaime Spengler e o Rabino Guershon Kwasniewski, cumprimento a todos os senhores e senhoras por estarem aqui presentes, mostrando para todos os cidadãos e cidadãs, que os exercícios da tolerância religiosa, da comunhão e do ecumenismo são bens maiores que devem ser por todos seguidos.
Assim, constrói-se o caminho da liberdade e da solidariedade.
Nos séculos XVI e XVII, tivemos guerras religiosas entre os cristãos, que produziram grandes danos para todos. Os judeus, em toda a sua história, foram sistematicamente perseguidos, sendo o holocausto uma das mais trágicas páginas da humanidade.
É bem verdade que o mundo atual continua apresentando exemplos de barbárie, mas também oferece outras alternativas para as pessoas que tem o bem comum e a elevação espiritual enquanto princípios guias da ação.
Em meu governo, busco sempre seguir esses princípios. Desde o seu início, tive como norte a pacificação nacional, ciente de que a exacerbação dos conflitos conduz a uma violência prejudicial para todos.
Se proponho reformas, é porque estou convencido de que o futuro do país delas depende. Penso nas próximas gerações que poderão usufruir de uma vida melhor. A história das religiões mostra que sacrifícios presentes são depois recompensados.
Estamos vivendo neste dia, neste lugar sagrado, um momento histórico. Quem poderia pensar – e muito não o pensam – que uma comemoração judaica – Pessach – poderia ser celebrada em uma Catedral?
A surpresa bem mostra que uma nova forma de comunhão religiosa e humana é possível. Somos tomados de admiração!
Duas religiões, que já se antagonizaram no passado, confraternizam no presente, sob a condução de lideranças que se abriram ao diálogo inter-religioso. Não pensaram no que os diferencia, mas no que os une.
A ideia de união, de irmandade, muitas vezes é esquecida em um mundo capturado por conflitos e violências dos mais diferentes tipos e pelos interesses materiais mais imediatos.
O mundo precisa de novas iniciativas. O Brasil precisa de pacificação. Os Senhores estão dando um exemplo. Enquanto brasileiro e presidente deste país, sinto-me especialmente orgulhoso, compartilhando deste sentimento de profunda elevação espiritual e humana.
Parabéns aos Senhores. Deus seja louvado! Shalom!

Michel Temer
Presidente da República

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