A SIBRA é uma comunidade inclusiva e acolhedora. Encorajamos a participação de todos os que procuram uma conexão com a vida judaica.

Preservar e incentivar uma prática judaica pluralista, inclusiva, igualitária, democrática e moderna, onde todos os que praticam estes princípios são bem-vindos, sem discriminação e sem preconceitos.

Daniel Weiss Vilhordo – Presidente
Henrique Leão Kiperman Z”L – Vice-Presidente
Henry Goldfeld – Vice-Presidente
Aloisio Leite Assis
Ismael Maguilnik
Ricardo Silveira
Roberto Walter
Sergio Caraver – Presidente do Conselho Deliberativo

O nosso rabino

Desde 1996 até o presente, o Rabino Guershon Kwasniewski lidera a comunidade da SIBRA.

Formado pelo Seminário Rabínico Latino Americano em 2016, estudou no Schechter Rabbinical Seminary, em Jerusalém, Israel e em Buenos Aires, Argentina, onde recebeu a sua ordenação rabínica.

É formado também em jornalismo e locução pelo I.S.E.R. – Instituto Superior de Enseñanza de Radiodifusión-, de Buenos Aires, Argentina.

Atualmente é o coordenador do Grupo de Diálogo Inter-religioso de Porto Alegre, grupo reconhecido por lei municipal 10372, de 25 de janeiro de 2008. Pela atuação neste grupo ganhou no ano 2012 o Troféu Câmara Municipal de Porto Alegre pela contribuição ao desenvolvimento social e humano da cidade.

Nos anos 1986, 1992, 1996 e 2000 fez diversos cursos de capacitação em Jerusalém, Israel, entre os quais se destaca o realizado em Yad Vashem, Centro Mundial de Estudos do Holocausto.

É o criador do Blog das Religiões do jornal Zero Hora.

É um dos fundadores do Espaço Inter-religioso do Aeroporto Internacional Salgado Filho de Porto Alegre

Escreve regularmente artigos para jornais e revistas de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro e também é convidado para escrever capítulos em livros sobre diversas temáticas judaicas.

Sua página no facebook é um canal permanente de interação com judeus e não judeus de todo o Brasil.

Ministra cursos e palestras sobre judaísmo em diversas faculdades e colégios, públicos e privados.

Ministrou cursos de extensão sobre Judaísmo em Faculdades como a UFRGS e Santa Cruz do Sul.

É colaborador credenciado do Hospital Moinhos de Vento, onde realiza visitas semanais a doentes judeus.

É o responsável por ter transformado a SIBRA na primeira sinagoga do Brasil em transmitir os seus serviços religiosos ao vivo pelo seu canal exclusivo de livestream.

Foi o idealizador do primeiro Seder de Pessach da história do Brasil realizado dentro de uma Catedral Metropolitana, que teve ampla repercussão na mídia.

Com as suas ideias ousadas e a sua determinação por uma prática religiosa moderna, motivou nestes anos a centenas de famílias a viver uma vida plena judaica.

É casado com a Prof. Dra. Patricia Behar e tem dois filhos, Gabriela e Diego.

Milene Levenzon Unikovski

Coordenadora da Área de Educação. Pedagoga com experiência profissional de mais de 10 anos. Já trabalhou com educação especial e inclusiva, educação de jovens e adultos e foi orientadora educacional concursada no município de Esteio (RS). Atualmente, trabalha como Morá de Educação Infantil no Colégio Israelita Brasileiro. Dentro de sua formação, esteve durante três anos no Seminário Rabínico Latinoamericano, em Buenos Aires, estudando Chazanut e tem, no seu histórico, atuação comunitária como chazanit e Morá de preparação de jovens Bnei Mitzvá. Atualmente, cursa pós-graduação em Psicopedagogia na área clínica e institucional.

Salomão Nicilovitz

Graduando em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, professor de Cultura Judaica na SIBRA e no Colégio Israelita Brasileiro, teve sua formação como ativista no movimento juvenil Chazit Hanoar, fazendo Shnat Achshará em Israel no ano de 2013. Atua desde então em diversos projetos dentro e fora da comunidade judaica de Porto Alegre.

O Rabino Guershon Kwasniewski é a referência e o responsável pelo conteúdo e enfoque judaico religioso dos cursos da SIBRA.

Sergio Olive

Maestro e tecladista da SIBRA. Músico formado em Buenos Aires, Argentina, trabalha como compositor, pianista, multi-instrumentista, regente, arranjador e professor. Além de concertos, shows e aulas, produz em estúdio próprio trilhas para cinema, teatro e TV.

Milene Levenzon Unikowski

Chazanit e responsável pela preparação musical de Bnei Mitzvá. Durante três anos cursou a escola de Chazanut do Seminario Rabinico Latinoamericano, em Buenos Aires e tem experiência comunitária na área.  Pedagoga, atua na área de educação há mais de 10 anos. É Morá de Educação Infantil do Colégio Israelita Brasileiro.

Ricardo Faertes 

Nascido em São Paulo, tem origem sefaradi pelo pai (seu sobrenome original é Fuertes) e ashkenazi pela mãe (Axelrod). Formado em Geologia e Publicidade (UFRGS). Exerceu sua primeira profissão como Geólogo de plataformas de petróleo, na Petrobrás, e em controle ambiental, no município de Porto Alegre. Vinculou-se à Assessoria de Relações Públicas da Câmara Municipal, onde se aposentou. Concluiu cursos de Corretor e Avaliador de Imóveis, atuando atualmente como Consultor Imobiliário. A música acompanha sua vida. É fundador do Conjunto Lechaim, em atividade desde 1993, onde atua como cantor, sendo responsável por diversos roteiros de shows levados  muitos palcos do Brasil e exterior. Membro efetivo da equipe litúrgica da SIBRA de novembro de 2005 a novembro de 2016, participando de inúmeras cerimônias de Bnei Mitzvá, casamentos e todos os demais eventos da sinagoga. Tem melodias compostas para o Shabat que ainda hoje compõem o acervo litúrgico. É autor de letras de músicas do repertório do Lechaim, e foi vencedor do I Festival Latinoamerico de Música Judaica (1999). É um dos autores do Hino do Colégio Israelita Brasileiro.

Francis Padilha

O barítono Francis Padilha, graduou-se em Canto em dezembro de 2005 e em Regência Coral em agosto de 2009 na UFRGS. Participou de Master Classes com os professores Uwe Paul Lohse (Alemanha) Stephen Smith (Estados Unidos), Raquel Pierotti (Espanha), Neide Thomas e Rio Novelo (Brasl), Mazias de Oliveira (Estados Unidos), Luiza Gianinni (Itália), Juremir Vieira (Brasil) e Eiko Senda (Japão). Foi professor convidado para as classes de técnica vocal nos Painéis de Regência Coral da Federação de Coros do Rio Grande do Sul (Fecors), no Festival de Inverno de Londrina (Paraná) e no Laboratório Coral de Itajubá (Minas Gerais). Francis tem cantado com as orquestras do estado do Rio Grande do Sul diversas obras, inclusive musicais, óperas de bolso e música de câmara para salas de concerto e teatro. Trabalha como regente e preparador vocal desde 1999. Atuou e fez orientação vocal dos musicais O Linguiceiro da Rua do Arvoredo e Saltimbancos. O barítono ainda preparou vocalmente os musicais Lupicínio Rodrigues e Corcunda de Notre Dame e as peças Ayê, Night Club e Terra do Nunca II. Em abril de 2011, ganhou o Prêmio Júri Popular e o 3º lugar masculino no Concurso Internacional de canto Bidu Sayão e, no ano de 2014, foi professor de voz na Casa de Teatro de Porto Alegre. Francis é o regente do Coral Zemer (Naamat Pioneiras).

Grupo Shirat Shalom

Canto de paz
Canto para paz

É desta forma que queremos apresentar-nos, oficialmente, para nossa comunidade; como um grupo de mulheres judias reformistas/liberais da SIBRA.

Formamos um núcleo  de trabalho com 11 mulheres com ideais em comum: de melhorar e crescer estimulando que a comunidade seja envolvida  nesse entusiasmo.

Acreditamos que este ideal vem da raiz do reformismo; mudanças para fins de aprimoramento e liberdade.

Somos Bella, Débora, Elisa,Gladis,Hedy,Ketty, Lucy, Olga, Rejane, Solange e Yara. Mulheres que olham para o futuro, desejando uma comunidade ativa ,alegre e ansiosa por progresso.

Queremos proporcionar momentos de desenvolvimento cultural, educacional e inter religioso ( afinadas com a mais nobre marca da SIBRA) sempre com atitudes e espírito de acolhimento e proximidade com todos.

As mulheres têm um papel importante na construção de empresas, escolas, sociedade e família, organizando e reformando a casa. AQUI, é a nossa casa comunitária e queremos estar lado a lado com os homens, exercendo nossas melhores características: unir,formar e proteger.

Esperamos o apoio de todos; homens, mulheres e jovens para enriquecer nossa casa com a interpretação reformista dos preceitos judaicos .

Temos esperança que num futuro próximo não sejamos ,unicamente conhecidas como um grupo de mulheres, mas como as pessoas da SIBRA,  que anseiam por uma sociedade mais justa e igualitária.

Débora Gleiser

Coordenadora do grupo Shirat Shalom

Grupo de Meditação e Yoga

Encontros aos sábados pela manhã, das 9h às 10h, guiado pelo professor Talema

SIBRA Kinder

No Kabalat Shabat e em datas especiais, atividades paralelas direcionadas para crianças pequenas alusivas à ocasião.

A HISTÓRIA DOS PRIMÓRDIOS DA SIBRA.

Um pequeno relato da história da imigração judaico-alemã no Rio Grande do Sul.

Tentando traçar a trajetória dos judeus–alemães no RS, mais especificamente em Porto Alegre, é que temos, sem a menor dúvida, que contar a história da SIBRA já que uma é entrelaçada à outra de forma indivisível.

Antes, tínhamos alguns poucos judeus-alemães que por motivos profissionais aqui chegaram e ficaram. É o caso do Sr. Kurt Weil que, jovem, aqui chegou em 1929 e que, mesmo não fazendo parte de nenhum movimento imigratório, foi uma pessoa fundamental para aqueles que a Porto Alegre vieram em busca de um novo começo de vida. Foi pelo seu trabalho nos bastidores, via amigos e advogados, etc… que muitos dos judeus-alemães aqui chegados conseguiram regularizar suas vidas no Brasil.

Dito por ele: “… Aqui não tinham “idish” alemães, quando eu cheguei. Tinha um alsaciano, um suiço, e eu fui amigo dele. Os alemães chegaram; os primeiros em 1933 e 1934. Foi minha prima, Marianne Silber, com o marido, que era médico de crianças, Dr, Walter Silber. Foram os primeiros.”

Voltando ao começo da imigração, a primeira família da chamada leva imigratória judaico-alemã chegou a P.Alegre em 1934, a família do Sr. Max Stobetzki, mas meses depois foi seguida por diversas outras. Esse pequeno agrupamento foi o núcleo que gerou a formação da comunidade judaico-alemã que veio a se desenvolver, rapidamente, nos anos seguintes.

Chegando ao Brasil, os imigrantes judeus alemães sofrem o primeiro impacto depois de uma transferência traumática: um mundo tropical, climática e culturalmente muito diverso de sua experiência anterior profundamente germânica. A língua representa também uma barreira de difícil transposição e ao mesmo tempo um elo entre os que chegavam.

Num primeiríssimo momento, o convívio com os judeus que aqui já estavam, oriundos das levas imigratórias do começo do século (russos e poloneses em sua maioria), foi perfeitamente possível. Mas as diferenças logo se manifestaram, inclusive o uso da língua idish entre os demais, e que não era falado entre os alemães, contribuindo para que sentissem a necessidade de formarem o seu próprio grupo. Na medida em que famílias fugidas da Alemanha nazista aqui aportavam, o núcleo foi se aglutinando em torno da necessidade de conversarem e conviverem e, já nas primeiras grandes festas do ano de 1934, havia quórum suficiente para rezarem em casa de Max Stobetzki, sem precisarem de outra sinagoga.

Além disto, “importaram” todo um modus vivendi germânico, apenas dando um toque “tropical” necessário pelas próprias condições precárias de viverem seu judaísmo, e pelas condições climáticas, sócio-financeiras, etc. Mesmo assim podemos definir que, nesse primeiro momento, a adaptação foi facilitada pela liberdade de ação e de ir e vir que lhes foi proporcionada.

É neste período que surge também a necessidade de se reorganizarem religiosa e socialmente. Estes judeus foram sentindo crescer um vínculo entre eles e buscaram a formação do que viria logo ser a SIBRA.

Foram os integrantes do primeiro núcleo (de 1933-36), que tomaram a iniciativa. A partir do fim de 1936, apesar das restrições imigratórias já muito mais severas, começaram a chegar judeus-alemães de todas as regiões da Alemanha, trazendo consigo uma bagagem cultural ainda mais diversificada daqueles que aqui já estavam, porém tendo em Hitler e no Nazismo o motivo da emigração da Alemanha e da Europa.

Foi o medo pelo advento do Nazismo o grande e talvez o único motivo da imigração, já que a maioria não tivera até então problemas de ordem econômica, política ou social (inclusive religiosa) em suas cidades de origem. Esse fato particular, até peculiar, diferente de todos os outros agrupamentos e movimentos imigratórios, tornou-se um elo muito forte, muito único entre os judeus-alemães. Tínhamos numa mesma leva imigratória cidadãos de cidades cosmopolitas (Hamburgo, Frankfurt, Berlim, etc..) e cidadãos de cidades interioranas, sendo que, nestas últimas, as tradições judaicas e a religião estavam mais presentes na vida daqueles que de lá saíram.

O elo com o judaísmo e com seus costumes alemães foi o ponto de partida para criarem uma entidade que lhes desse um endereço para encontros, para fazerem os serviços religiosos, para trocarem informações e receberem os novos imigrantes que começaram a vir em maior quantidade, à medida que o nazismo tomava conta de toda região de fala alemã na Europa. Um local onde pudessem usar seus livros de rezas, já na época com transliteração para língua alemã, cantar suas canções com as melodias tradicionais de suas congregações na Alemanha, além das outras atividades como jogos de cartas, apresentações teatrais, cancioneiro alemão, etc..

A SIBRA foi fundada em 29 de Agosto de 1936, nos altos da Confeitaria Rocco ¾ o prédio ainda existe, bem conservado, no centro de Porto Alegre ¾ . Em sua primeira Diretoria, constavam: Samuel Hess, Jean Strauss, Siegfried Epstein, David Windmüller, Kurt Weil e Nina Caro, passando esta última a dirigir a “Frauenverein” , a ala feminina, e na primeira ata, ainda as assinaturas de: Herbert Caro, José Windmüller, Max Baumann, Ludwig Hain, José Warschawski, Herman Ritvo, Josef Neumann, e Max Blumenthal.

Objetos sagrados preciosos salvos da fúria nazista foram doados à Sinagoga pelos novos sócios: os rolos sagrados da Torah foram doados por David Windmuller, Siegfried Weil, Josef Stiefel, Heinrich Epstein e Joseph Silber; o Shofar, por Siegfried Weil e os enfeites dos rolos por Emil Bendheim.

Em seus estatutos constavam como fins da Sociedade:
a – manter uma sinagoga para a prática do culto religioso;
b- manter uma Caixa de Beneficência;
c- facilitar aos associados o estudo da língua portuguesa e da história do Brasil;
d- proporcionar aos sócios boa leitura, conferências instrutivas, ……;
e- interessar-se pelo desenvolvimento espiritual e físico dos associados.

” …Judaísmo não fazia parte de minha vida, mas Hitler mostrou a todos, rapidamente, o caminho de volta a ele.” O Herbert Caro saiu da Alemanha ainda em 1933; não esperou mais nada ocorrer. “… Eu me filiei à SIBRA, inicialmente, por simples solidariedade, …… aos poucos, posso dizer, me tornei realmente judeu.”

Relatou-nos Margot Leventhal, filha de Siegfried Bauman:
” … lá se congregavam os judeus alemães de cidades diversas e, à medida que vinham chegando, iam se assumindo uns aos outros.” ” … na SIBRA encontrava-se apoio para tudo.” “…tem até uma história de uma casa de veraneio, em Ipanema, que a SIBRA alugava e passava para famílias irem de duas ou de três em três, por uns 8 a 10 dias, cada turma. Era um luxo, uma maravilha …”

A Sra Ruth Herz, nascida Stobetzki, contou:
” … a impressão que tive do Pessach, em 1934 ¾ chegáramos em janeiro ¾ , na sinagoga do Linet Hadzedek, foi horrível. As pessoas conversavam alto, ninguém respeitava nada, …”
” …Os Sidurim adotados só tinham as rezas em hebraico, enquanto que os nossos, e que trouxemos da Alemanha, já vinham com a tradução em alemão gótico, desde meados do século XIX…”
” … e daí em diante meu pai resolveu que os serviços religiosos seriam feitos em nossa casa para quem quisesse vir ….”
” …O núcleo da SIBRA formou-se rapidamente e em 2 anos ela foi formalmente e oficialmente constituída.”

De Grete Bejzman, a filha de Max Blumenthal, que dirigia o culto na sinagoga e cuidava de suas dependências junto com sua esposa D. Lina, primeiramente, na sede da Av. Osvaldo Aranha e, após 1940, à rua Esperança ¾ nome altamente sugestivo ¾ , hoje Miguel Tostes:
” … e minha mãe começou a cozinhar. Essas pessoas que se reuniam na SIBRA, que não tinham para onde ir, almoçavam lá, e eu me lembro até hoje como era servida a comida; … judeus poloneses começaram também a ir lá comer a comida Casher; … a mãe começou também a fazer tortas, e meu pai servia …”

À medida que a simpatia do governo brasileiro de Getúlio Vargas pendia para o lado das ditaduras nazi-fascistas européias (de 1937 até 1941), surgia a necessidade de se adaptarem, de aprenderem e de ensinarem a seus filhos os hábitos, a língua e eles mesmos tentarem e se esforçarem a uma adaptação mais rápida de um modo de vida brasileiro e, no caso, gaúcho. Os filhos, em sua maioria, foram estudar em colégios laicos, mesmo já havendo uma escola judaica com ensino fundamental. Os meninos recebiam a base do ensino religioso e as noções da língua hebraica por parte dos infatigáveis Max Blumenthal e posteriormente Klaus Oliven.

Foi o período mais difícil para todos esses imigrantes que em pouco tempo voltaram a se sentir inseguros e amedrontados. Desde 1937, o Governo brasileiro fechara praticamente as portas à imigração judaica. Nesta época foi importante o trabalho do Dr. Miguel Weisfeld, nascido em Odessa, mas formado em Direito já no Brasil, que paciente e abnegadamente explicava os “casos” às autoridades e que muitas viagens fez até o Itamarati para obter soluções favoráveis.

O vai-e-vem da política interferia diretamente na vida desse pequeno grupo. Quando o presidente Getúlio Vargas aliou-se aos países anti-nazi-fascistas, foi proibido o uso da lingua alemã em todo o país e, de novo, esses judeus se sentiram confusos e extremamente perseguidos.

De Claus M. Preger, médico, nascido em Porto Alegre, filho de imigrantes alemães:
” …Nasci em 1937, ano do início da 2ª Guerra Mundial. O Brasil declarou guerra às nações do Eixo, liderado pela Alemanha, em 1941, e a língua alemã tornou-se proibida em lugares e reuniões públicas. Eu ouvia – e disto me lembro muito bem – relatos de meus pais sobre amigos presos, tendo seus rádios e outro bens confiscados, simplesmente por falarem alemão na via pública. De nada adiantava argumentar que eram judeus vindos da Alemanha por perseguição nazista. Isto simplesmente me deixava apavorado. Recordo-me, como se fosse hoje, de minha mãe e uma amiga falando em alemão na Av. Borges de Medeiros, e eu lhe puxando a saia, desesperado para que falassem em português ou que fôssemos embora logo, antes que o Sol nascesse quadrado para todos nós. Eu tinha quatro anos nesta ocasião. A língua alemã tornou-se para mim a língua proibida. Ainda hoje, quando visito a Alemanha, tenho dificuldades em ler e dialogar, em alemão, nos primeiros dias. Após algum tempo, a língua solta…”

A SIBRA além de tudo isso, teria o papel de “elo” entre o agrupamento e a municipalidade ou o governo em si, uma vez que a entidade foi fundada dentro da legislação oficial e legal.

A programação de cunho cultural, quase toda em língua alemã, sofreu à essa altura descontinuidade, até o fim da guerra, em 1945. A SIBRA distribuia carteirinhas entre seus sócios para identificá-los como judeus, agora com a finalidade, nem sempre obtida, de convencerem a polícia de sua inocência e livrá-los da prisão, por falarem a língua proibida.

Em seguida ocorreram os primeiros casamentos entre os filhos deste agrupamento, ocorreram as primeiras bar-mitzvot, as brith-milot, etc.. e a primeira bar-mitzvá foi a de Dagoberto Hauser e a primeira brith-milá de um filho de imigrantes, já nascido em Porto Alegre (março de 1937), foi a do colaborador do presente trabalho.

Foi na SIBRA também que os pais procuraram formar os primeiros núcleos juvenis para seus filhos, trazendo pioneiramente líderes religiosos fato que não ocorria em nenhuma outra entidade religiosa-cultural, com fins educativos. A língua portuguesa passou a fazer parte da transliteração dos livros de reza (mais integração com o dia a dia da vida no Brasil), algo inédito por aqui. Houve sempre uma busca de lideranças mais envolvidas com a juventude, preservando o cunho de ligação com a religião e a tradição.

De lá para cá, muitos anos, muitas diretorias e muitas gerações se passaram. Isto tudo será contado à parte. A disposição ao trabalho e a vontade de contribuir à continuação e ao fortalecimento do judaísmo continuam da mesma forma impulsionando nossas idéias e nossa iniciativa. Senão vejamos …

Pesquisa e Redação: Ivone Herz Berdichevski
Colaboração: Claus M. Preger
Trechos de depoimentos concedidos à SIBRA
e ao Instituto Cultural Judaico Marc Chagall.

Repartição Central de Polícia, Porto Alegre, 24/04/1942
Repartição Central de Polícia, Porto Alegre, 24/04/1942

Repartição Central de Polícia, Porto Alegre, 24/04/1942
Autorização policial para a realização de uma festa religiosa na residência de um imigrante.
Porto Alegre, 24/04/1942. Adverte-se que é proibido utilizar as línguas das potências do Eixo.

Carteira de associado da SIBRA, pertencente a Max Blumenthal, Porto Alegre, 25/09/1942
Carteira de associado da SIBRA, pertencente a Max Blumenthal, Porto Alegre, 25/09/1942

Carteira de associado da SIBRA, pertencente a Max Blumenthal, Porto Alegre, 25/09/1942
Após a entrada do Brasil, durante a Segunda Guerra Mundial, o fugitivo alemão que conseguisse provar sua origem judaica não era visto como partidário do nacional-socialismo.

Presidência da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência.
Presidência da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência.

Presidência da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência.
Na primeira fileira, da esquerda para a direita, os rabinos Dr. Henrique Lemle, Manfred Hoexter, Dr. Fritz Pinéus, Porto Alegre, 28/08/1960

O Judaísmo Reformista (ou Progressista) mantém a fé no pacto entre D’us e Israel através das gerações, segundo os ensinamentos da tradição e de uma Torá em constante evolução. Instigado pelo mandamento de tikun olam (melhora do mundo), busca ser a expressão viva dos ensinamentos judaicos. O Judaísmo Reformista dá as boas-vindas a todos que procuram, através do judaísmo, viver uma vida significativa que une a inspiração divina e os ensinamentos dos mestres e sábios de Israel através dos tempos.

Comunidade

Em comunhão sagrada com todo o povo judeu e com o Estado de Israel, judeus reformistas, como grupo e indivíduos, lutam para tomar decisões atentamente pensadas sobre como transformar nossos valores em ação. O Judaísmo Reformista nos convida a procurar pela santidade que está presente no que criamos com reflexão, no estudo crítico, e em práticas elevadas que renovem nosso pacto com D’us, com o povo de Israel, com a humanidade e com o planeta.

Liderança

As Organizações do Movimento Reformista existem com o propósito de levar os ensinamentos do Judaísmo ao redor do mundo. Em regime de parceria, buscam traduzir as muitas lições contidas nos ensinamentos judaicos através do apoio individual, ou a grupos que fomentam comunidades autênticas e inovadoras, apoiando os pontos em comum das comunidades reformistas em Israel e ao redor do mundo.

Fonte: URJ

World Union for Progressive Judaism

A  World Union for Progressive Judaism, fundada em Londres, em 1926, é a organização “guarda-chuva” que congrega as comunidades progressistas ao redor do mundo (liberais, reformistas e reconstrucionistas), contando com mais de 1200 congregações filiadas, com 1,8 milhão de membros em mais de 50 países. Com seu quartel-general em Jerusalém, a WUPJ representa a maior grupo judaico organizado dentro de uma filosofia de procura de uma expressão judaica tradicional e contemporânea, espiritual, cultural e religiosa. A WUPJ trabalha por um judaísmo de plena inclusão a todos os judeus, sem distinção de gênero e orientação sexual, baseado nos valores dos antigos profetas hebreus: a busca pela justiça, a igualdade e o compromisso com a paz. A WUPJ estimula as comunidades que garantam aos judeus o acesso a uma vida judaica vibrante e significativa para cada um, com inspiração espiritual e o trabalho pelo futuro do povo judeu, em Israel e na Diáspora.

A SIBRA é uma das entidades signatárias da Fundação da World Union for Progressive Judaism da América Latina e participa ativamente das programações regionais e internacionais.

Fatos da WUPJ

• O Instituto Ibero-Americano de Formação Rabínica Reformista foi lançado em Buenos Aires, em 2017, com o objetivo de aumentar a formação de rabinos da linha reformista nos países de língua espanhola e portuguesa.

• Netzer Olami, o Movimento Juvenil internacional vinculado à WUPJ, conta com a participação de 10 mil jovens adultos ao redor do mundo como membros e líderes locais

• 70 mil pessoas a cada ano participam de programas educacionais e culturais qualificados no Mercaz Shimshon/Beit Shmuel, sede da WUPJ em Jerusalém

R. Mariante, 772 – Rio Branco, Porto Alegre – RS, 90430-180

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