SIBRA, 80 anos de Judaísmo Gaúcho, resgatando a história da instituição

SIBRA, 80 anos de Judaísmo Gaúcho, resgatando a história da instituição, conforme informe do Instituto Cultural Judaico Marc Chagall, Boletim 33, Janeiro de 2014

SEÇÃO INSTITUIÇÕES DA COMUNIDADE

Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência – SIBRA
Com o fortalecimento do nazismo, que culminou com a ascensão de Hitler ao poder, a emigração dos judeus alemães intensificou-se. Na década de 1930, gradativamente, aumentou o número de alemães de origem judaica que se radicaram em Porto Alegre. Inicialmente, eles frequentaram as sinagogas já existentes, mas esses templos não seguiam os ritos aos quais estavam habituados. Neste período era significativo o distanciamento entre os judeus alemães e a comunidade judaica local, seja a pequena de origem sefaradi ou a formada, preponderantemente, por judeus vindos do leste europeu. Foram as sinagogas deste segundo grupo que os judeus alemães frequentaram, mas o ambiente não lhes satisfazia, além de não falarem o ídiche, comunicando-se apenas em alemão.

Mesmo diferenciados internamente, os judeus alemães irmanavam-se por sua origem geográfica, a língua comum e o seu exílio provocado por Hitler e o Nazismo. A necessidade de terem uma sede própria foi logo sentida. O esforço despendido resultou na criação da SIBRA, em 29 de agosto de 1936, na tradicional Confeitaria Rocco, localizada no centro da cidade. Como as demais sociedades judaicas criadas em Porto Alegre, tinha como fins a manutenção de uma sinagoga e de uma caixa de beneficência. Outras proposições do seu estatuto visavam à inserção dos recém-chegados na nova sociedade, pois havia a preocupação em facilitar o estudo da língua portuguesa e da História do Brasil.

Na sua primeira diretoria, constam os nomes de: Samuel Hess, Jean Strauss, Siegfried Epstein, David Windmüller, Kurt Weil e Nina Caro, que passou a dirigir a ala feminina. Na primeira ata, ainda constam as assinaturas de: Herbert Caro, José Windmüller, Max Baumann, Ludwig Hain, José Warschawski, Herman Ritvo, Josef Neumann e Max Blumenthal.

O primeiro local que os judeus alemães tiveram como seu localizava-se na avenida Osvaldo Aranha, n° 1082. Em 1940 transferiram-se para a Rua Esperança, n° 790, hoje Miguel Tostes, em uma casa simbolicamente alugada por um membro da sua comunidade, o doutor Alexandre Preger. Por alguns anos, este prédio foi o seu local de integração, lá recebiam os novos imigrantes, cumpriam as cerimônias religiosas, usando seus livros de orações transliterados para o alemão e realizavam reuniões sociais e culturais.

Será em um terceiro endereço que os judeus alemães terão a sua sede permanente, na rua Mariante, n° 772. A Pedra Fundamental foi simbolicamente lançada no dia 09 de novembro de 1958, data que relembra 1938, quando os judeus sofreram violências e tiveram suas propriedades e sinagogas destruídas em vários locais da Alemanha e da Áustria, acontecimento que passou para a história como Kristallnacht (Noite dos Cristais). A inauguração do novo prédio ocorreu em 1960. Residência de Max Blumenthal e família — Rua Esperança, nº 790, local onde foi por muitos anos a sede da SIBRA. Foto do acervo do ICJMC.

A atual diretoria da SIBRA é composta dos seguintes membros: Presidente: Sérgio Caraver, Vice
Presidente: Alberto André Cohen, Vice Presidente: Henry Goldfeld, Diretor: Henry Bejzman, Diretor: HenriqueMoscovitch, Conselho Deliberativo: Bernard Kats, Jair Eugênio Laks, José Silvio Blumenthal, Liana
Richter, Jorge Miguel Heineberg, Mário Caspary, Mário Leyser, Vladimiro Libeskind, Gladis Blumenthal,
Irene Wolff, Cláudia Laub, Comissão de Culto Mário Caspary, Raquel Melamed, Líder Religioso: Prof.
Guershon Kwasniewski, Baalei Tefilá – Cantores Litúrgicos: Ricardo Faertes e Ana Tetelbom Schuchmann,
Teclado: Sérgio Olivé.

A SIBRA não possui cemitério próprio, seus associados são enterrados no cemitério do Centro Israelita
Porto-Alegrense. Segundo o depoimento de José Blumenthal, nos tempos iniciais “tudo era feito na sinagoga. A pessoa morria e era trazida para lá.

Eles faziam o cerimonial todo lá e o enterro saia dali […] depois começaram, parece, a fazer toda a preparaçãono hospital, [mas] o enterro passava na frente da SIBRA em homenagem à SIBRA ou em homenagem ao morto que tinha muito a ver com aquilo […]”. O rabino Guershon Kwasniewski, há 18 anos
na SIBRA, enumera as seguintes atividades que a congregação realiza: “serviços religiosos de Kabalat
Shabat e festividades. Cursos de Bar e Bat Mitzvá para jovens e adultos. Curso Shorashim – introdução
ao Judaísmo – presencial e on-line. Cine-debate com convidados. Comemoração de festividades, como o
Seder Comunitário no Hotel Plaza São Rafael. Shabat na praia e na serra. SIBRAKINDER para crianças de 4 a 11 anos. Programa de ex-alunos monitores de Bar e Bat Mitzvá. Palestras em instituições. Recebemos diversos grupos de universidades e escolas que desejam conhecer uma sinagoga. Grupo de Diálogo Inter-religioso, com palestras e encontros abertos”. Completa os dados, destacando que a Sociedade tem representantes no Comitê Estadual de Diversidade Religiosa da Secretaria de Direitos Humanos do RS, participa do Blog das Religiões no jornal Zero Hora, transmite ao vivo os seus serviços religiosos, além de publicar matérias e artigos em jornais e revistas. De 2004 a 2007 a SIBRA publicou e distribuiu o informativo Essência, o qual foi substituído por comunicação eletrônica através do Facebook.

Atualmente, frequenta a SIBRA um grande número de membros da comunidade judaica local, tornando
possível afirmar que sua sinagoga não se constitui mais em um reduto de judeus alemães.

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